Incongruências

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quinta-feira, julho 03, 2003

Globalização II

O João Miranda [post] assim como o jcd em comentário, referem que a economia não é um jogo de soma zero. Que a riqueza se cria. Que estamos mais ricos agora que há cem anos atrás.

Ora, como se cria riqueza? Só conheço 3 maneiras: a banca, a bolsa e fabrico de dinheiro.

A banca empresta o dinheiro que nós lá temos assim como o dinheiro que pede a outros bancos, nomeadamente aos bancos centrais. Assim dá-se uma multiplicação do dinheiro total, logo, um aumento aparente da riqueza. Não estivéssemos nós endividados.

Na bolsa, quando compramos acções temos a sensação que é um valor quase equivalente a dinheiro. Quem nos vende as acções fica com o dinheiro, logo, o dinheiro é duplicado, a riqueza aumenta. Se as acções subirem, ainda maior o aumento. Outra forma são as participações cruzadas. Com participações cruzadas, quando é feita a avaliação individual do valor de uma empresa, as participações em outras contam. Quando é feito de outra idem. Assim duas empresas podem ser avaliadas por mais do valor real que efectivamente valem. Tem-se assim um aumento aparente de riqueza.

Quando o estado fabrica dinheiro, aí sim, cria-se riqueza. Se houver confiança, o dinheiro vale, logo, temos um aumento de riqueza.

Agora, pensando no nosso caso só com duas empresas. Num sistema em que não há lucro recorrer à banca é impossível. Não há lucro (pelo menos para uma das empresas), quanto mais pagar empréstimos bancários. Os trabalhadores das empresas podem recorrer à banca. Nessa altura poderá haver uma oportunidade de lucro momentânea. Momentânea porque ao fim de algum tempo os trabalhadores terão de pagar as dívidas, provocando pior que uma quebra nos lucros, o dinheiro sorvido ao sistema pelos bancos dá lugar a prejuízos.

Na bolsa as coisas correm melhor. Em teoria ambas as empresas podem realizar aumento de capitais para comprar acções mútuas, aumento de capital pois lucro, que é bom, não há. Assim como são ambas donas uma da outra, o valor próprio é inflacionado. Mas o mais certo é uma das empresas ter lucro e a outra prejuízo. A que tem lucro compra acções da que tem prejuízo num aumento de capital para colmatar as perdas que a segunda faz. Assim ficamos com uma única empresa (que no final vai à falência). De qualquer forma, a bolsa não resolve o problema da impossibilidade do lucro, resultado de trocas comerciais.

Fabricar dinheiro é a única solução viável. É óptimo para o estado que tem assim uma forma de aumentar a despesa sem recorrer a impostos e as empresas têm lucro. Com sorte há confiança e não há inflação.

De todo em todo, não vejo como se cria riqueza real. Talvez alguém me possa explicar...