Incongruências

Some nice description will fit in here....

segunda-feira, julho 28, 2003

Diálogos

Ontem numa prateleira da livraria Bertrand no Maiashopping, “O Pénis do Jeremias” ao lado d“Este Jesus Cristo Que Vos Fala”. De que falariam?

Bomba

Também ando a ver o telejornal por causa de uma bomba. O share da RTP já deve ter subido.

domingo, julho 27, 2003

Vergonha

Vergonha a SIC que faz reportagens sobre aceleras, estimulando-lhes o ego e dando azo ao aparecimento de mais. Vergonha a GNR que conscientemente se recusa a desempenhar minimamente as suas funções.

Toda a gente sabe, onde e quando.

quinta-feira, julho 24, 2003

Mortes

Sou normalmente tido como sendo uma pessoa com pouco respeito à vida dos meus semelhantes, reajo à morte de certas pessoas com um encolher de ombros e a pergunta do costume “E depois?!”. Talvez seja devido a tentar racionalizar demasiado as coisas, o facto é que, tirando o grupo restrito de pessoas com as quais tenho relações emocionais, familiares próximos, amigos, colegas de trabalho com relacionamento diário, etc., emociona-me tanto a morte dum colega de trabalho a quem eu só dizia “Bom dia” ou “Boa tarde” como as estatísticas de mortalidade infantil em Africa.

Mas daí a congratular-me com a morte de outro ser vivo, quanto mais humanos, é outra coisa.

Não percebo as reacções de congratulações pela morte dos dois filhos, e um neto, de Saddam. Especialmente quando parece que foram feitos todos os esforços para não os capturar com vida, como se justifica o lançar de mísseis sobre um edifício que já se encontra cercado?

Agradecimento Vários

Não querendo deixar os nossos créditos por mãos alheias apresentamos os tradicionais agradecimentos a quem nos tem referenciado ou incluído nas suas listas de links.

100nada [não resisto a voltar a agradecer, após nos ter feito uma menção atribui-nos um prestigiado prémio e, além disso, acrescenta o Incongruências à sua lista de links, estou extasiado!], FUMAÇAS [que coloca agora o Incongruências na lista de “Os Imprescindiveis do Momento” – que fizemos nós para merecer tal?! Obrigado!], Voz do Deserto [gosto de ler a Voz, requer uma certa preparação psicológica – como é possível discordar tanto e tanto mais gostar de ler?], oBlogdoPiano [diz que gostou, eu também gosto – doPiano], Paletós [que fizeram a visita completa a todos os cantos da casa e deixaram bons comentários sobre as várias divisões – olhem que eu ainda aceito as ofertas, em que zona é a loja?], Opções Inadiáveis [que nos inclui numa lista de links que parece contabilidade de merceeiro], Socio[B]logue [que nos inclui na sua lista de links], aaanumberone [um blog que eu não conhecia, mas que durante uns tempos vou tentar seguir, que nos acrescentou à sua lista de links], bomba inteligente [ela bem dizia que lia tudo, agora criou uma lista de links e incluiu o Incongruências – quanta honra], Doendes & Duentes [mais um blog que eu não conhecia e que de repente aparece na lista de Referrers do contador – só pela imagem que aparece no topo merece uma visita... mais um para seguir de perto].

A todos os outros que nos mencionam mas que não aparecem no Cosmos da Technorati ou que eu não apanhei na lista de Referrers do contador peço desculpas, prometo estar atento.

Aos que por cá aparecem procurando nos motores de busca coisas como “e.m.p.l.a.s.t.r.o”, “a.n.i.m.a.l”, “h.e.r.m.a.n” (os pontos são para tentar evitar futuras detecções) não sei que lhes diga... talvez estejam a tentar tomar o pulso da reacção da blogoesfera à aparição do Fernando no programa do H.e.r.m.a.n, ou talvez não... enfim coisas tristes. [brevemente mais um post sobre este assunto]
E volto a agradecer: 100nadaANTESTREIABig BredaDesactualizado e Desinteressanteblog de publicidadeconversas de caféEspigas ao VentoJaquinzinhosO PROJECTOPapoilaPiscosoQuezia

O Estado do Blog

O Incongruências completou ontem um mês de existência online. Tal como outros blogs pareceu-me apropriado fazer uma pequena análise do seu “desempenho”.

Ao contrário doutros não acho útil a contagem de visitantes ou pageviews – um visitante com uma ligação fraca ou um tique pelo Reload faz um belo monte de pageviews em poucos minutos – acho mais interessante o acompanhamento do número de visitantes únicos por dia, ou seja, excluindo os reloads, refreshs e viciados (eu) que visitam o blog várias vezes por dia.

Embora o contador esteja ao efectivo apenas há 11 dias já fornece dados interessantes e gratificantes. Mesmo num dia sem posts (última segunda-feira) tivemos 50 almas caridosas interessadas nos nossos tristes escritos (sábado e domingo têm que ser sempre alvo de leituras à parte). De notar também o efeito de arrasto provocado pela menção em blogs mais frequentados, no dia 14 tivemos uma explosão nas visitas, fomos aos 80 – obrigado Jaquinzinhos!

Com o passar do tempo e a intervalos mais espaçados voltaremos a estas pequenas análises, pois, também ao contrário doutros, não ponho em causa a continuidade do blog. Está cá para durar.

quarta-feira, julho 23, 2003

A trela

Traz-nos JPP no seu Abrupto um excelente comentário sobre os telemóveis e as alterações sociais que têm trazido e vão continuar a trazer.

O nome que sempre dei aos telemóveis, e aos seus antecessores bips/telebips [estes já podem ser acrescentados à lista de objectos em extinção], foi “A Trela”. Estes malogrados objectos funcionam como uma trela sem fio, mas que se pode sempre, ou quase sempre, puxar.

“Onde estás?!” – tornou-se pergunta inicial que quase todas as conversas telefónicas, só depois se pergunta “Como estás?” (se se perguntar...). Uma coisa muito útil é a personalização dos toques do telemóvel dependendo de quem nos está a ligar, o meu só toca para meia dúzia de números, para o resto faz um discreto “bip” e deixa-se ficar caladinho.

Faço uma pequena correcção ao texto de JPP, na parte do “2. Diálogos de um futuro muito imediato – cedências de liberdade”. As redes de telemóveis, por motivos intrínsecos ao seu funcionamento técnico, sabem sempre a localização dos aparelhos com uma margem de erro relativamente pequena, a Optimus e a Vodafone comercializam serviços que fazem uso dessa capacidade.

Relatividades

Transcrevo aqui um comentário que coloquei n’O País Relativo em resposta a um post:

Vocês não têm noção do ridículo a que se submetem?

Há milhares de presos preventivos em Portugal, já no tempo do outro que não fez a ponta dum corno havia.

Agora vêm estes santos gritar aqui d’el rei que não é justo!

Adoptem outros desgraçados! Só sabem ver a miséria quando é à porta de vossa casa?

Esperem que o caso chegue ao fim e, ai, debatam e estudem alternativas ao que se passa, e que já se passa há anos e anos, no sistema judicial português.

Deixem-se de demagogias e apercebam-se bem do ridículo a que se estão a expor.

terça-feira, julho 22, 2003

Polícia

Os carros estacionados junto ao separador central das avenidas, na quebra do separador destinada à inversão de marcha, em segunda fila, em segunda fila a menos de 20 metros de um lugar perfeitamente legal e disponível “ia só ali...”, em cima dos passeios, a carrinha dos correios que todos os dias percorre um pedaço de passeio para poder estacionar encostada à estação dos correios, crianças à solta no banco de traz, bebés ao colo, tenras cabeças sorridentes a espreitar pelo tecto de abrir, os que acham que para o peão ter prioridade nas passadeiras já tem que estar a arriscar a vida e ter os dois pés no asfalto, os peões que atravessam a rua em qualquer lugar (e é um escândalo se alguém os multa), os peões que se põem a pensar na morte da bezerra virados para a rua junto às passadeiras,os carros empilhados em lugares inventados junto às portas de acesso aos centros comerciais e supermercados, os lugares para deficientes sempre ocupados por não deficientes (ok esta é discutível), os carros que teimam em seguir colados às traseiras dos outros, os que vão sempre pela via do meio (porque a da direita é para os lentos, e eles não são lentos), os espertos que vão na faixa de ultrapassagem até à ultima e depois nos passam uma tangente para sair da auto-estrada, os carros alterados que lançam um rugido grave e incomodativo, os meninos que vão “sacar” uns piões e fazer umas corridas em locais sobejamente conhecidos, os médios altos, as luzes potentes de mais, as luzes de nevoeiro à frente sempre acesas, a luz de nevoeiro de traz ligada apenas porque cai uma chuvita, os que nunca fazem pisca, o facto de podermos andar em todas as auto-estradas muito acima da velocidade máxima permitida e sabermos que só com um grande (grande-grande!) azar seremos multados, o autocarro que só faz pisca quando já está a andar, ou que já tem o pisca ligado a reclamar prioridade enquanto ainda tem passageiros a entrar e sair, a motorizada com escape solto a lançar um ruído estridente, os empreiteiros e câmaras que abrem buracos e bocas de saneamento e não assinalam devidamente o local, as colunas dos políticos que percorrem o país a velocidades assassinas, os carros de transporte de rotina de pacientes a serviços de saúde com luzes de emergência e a fazer uso delas, os carros da polícia que notoriamente ligam os pirilampos só para obter prioridade nos cruzamentos, o carro da polícia que nos ultrapassa – quando já seguimos em excesso de velocidade – sem motivo aparente e sem assinalar marcha de emergência, os carros e motos da polícia estacionados em frente às esquadras em segunda fila e em cima das passadeiras.

Todos os que cá em Portugal andam de carro vêm a maioria destas situações, bastam alguns dias para as vermos quase todas e quase todos nós já as vimos a todas. Triste é que começamos a não reparar.

Porque se vive nesta calma impunidade?

Para que raio temos nós polícia? Para tratar (mal) dos relatórios de acidentes?

sexta-feira, julho 18, 2003

JN

O Guerra e Pás continua a sua dissertação sobre a nossa imprensa passando hoje pelo JN, fazendo-lhe uma excelente radiografia, e isto apesar de afirmar ser o JN o título que menos conhece.

Estando a viver na zona do Porto tenho que obrigatoriamente conhecer o “Jornal”, nome singelo porque é conhecido, os outros são desconhecidos ou tratados pelo nome completo, como um estranho, o JN não esse é o “Jornal”. Posso também dizer que a grande maioria dos leitores do JN são incapazes de ler qualquer outro jornal, a não ser é claro que seja “O Jogo” ou “A Bola”, ou nem sequer lhes pegam ou passam por eles como se fossem um bicho estranho que não conseguem perceber.

Um outro facto interessante no JN é a seu claro posicionamento regional e quando se dignam a noticiar qualquer coisa que se tenha passado a sul do Mondego é porque foi desgraça.

Brilhantismo

Escreve-se no Bicho Escala Estantes: “dos blogs, escrevia para os olhos de três, quatro pessoas. Hoje, com o meridiano, já há vinte que me leêm. Mas não é isso, não é isso...sei que escrevo com uma ideia fatal de necessidade de redenção absoluta. Escrevo para me redimir de nunca ter sido brilhante em nada. E isto não é grave. A maioria das pessoas é como eu. E mesmo os brilhantes, no um para um são pessoas também comuns.

Há pessoas mesmo brilhantes. Um post fenomenal num blog que vale sempre a pena.

quinta-feira, julho 17, 2003

Mais Torga...

[ainda vou ser processado por alguém...]
Coimbra, 3 de Novembro de 1936 – Grande discussão sobre a mania que a posteridade tem de publicar cartas íntimas de escritores mortos.

Defendi, já se vê, que era um atropelo ao respeito que se deve a um homem, tornar público o que nele foi particular. Eu bem sei que o particular, na pena dum homem de letras, nunca é uma sangria desatada de tal ordem que não haja sempre duas regras do Vieira a doirar a pílula. Seja porém como for. Tenha ele escrito com sinceridade ou não, com gramática ou não, com os olhos profissionais postos no futuro ou não, salvas aquelas excepções em que as circunstâncias o exijam ou o autor o estipula, custe o que custar, doa a quem doer, perca-se o que se perca, nada do que um escritor não quis publicar em vida deve ser publicado depois da morte.

E escusam de me argumentar com a verdade que muitos livros póstumos enriqueceram o património da humanidade e a glória dos seus autores.

Cá para mim, a humanidade nem tem o direito de tirar ao individuo aquilo que ele espontaneamente lhe não deu, nem de lhe engrandecer o nome contra vontade.

Miguel Torga, Diário I – Coimbra, Ed. Autor
Há uns tempos quando li “O Jardim do Éden”, obra póstuma de Hemingway, fiquei exactamente com esta sensação.

quarta-feira, julho 16, 2003

ANTESTREIA

A visita regular ao ANTESTREIA (excelente blog tenho que o por ali ao lado) já me deixou em pulgas... e ainda falta um ano.

O Emplastro/Cromo/Animal

JPP lançou o mote e reforçou-o no seu Abrupto mas a Charlotte na Bomba Inteligente põe o dedo na ferida. Temos a população que temos e pessoas sem escrúpulos fazem a televisão que temos para a população que temos.

A situação faz-me lembrar a morte da Diana. Quem foi responsável pela morte da Princesa Diana? Os “Paparazzi”, os editores das revistas cor de rosa dispostos a pagar fortunas por uma boa/comprometedora foto de Diana, ou o público sedento de escândalos que comprava em peso revistas com essas mesmas fotos?

O facto é que o Fernando só apareceu no programa do Herman porque já era uma individualidade famosa, antes do jogo em Sevilha um dos temas quentes das conversas de café era se o Emplastro/Cromo/Animal iria dar um ar da sua graça, antes (bem antes) disso já lhe era dedicado um website (e é, recuso-me a procurar tal bosta de link) com colecções de fotos, e posso dizer que perdi a conta à quantidade de asnos que já me perguntou se sabia o endereço, por e-mail também recebi filmes com o desgraçado.

O que se passou no último domingo à noite, que eu não vi, foi só mais um passo, coisas piores virão...

Eu não estou a ver saída para a situação, o povo não se pode mudar (nem educar, temo eu) e a intervenção de entidades reguladoras é altamente polémica. Não adianta estar a lançar campanhas (que mais parecem case studies sobre a influência da blogosfera) que quando muito conseguem uma ou outra reportagem nos jornais e que são esquecidas ao fim de uma semana.
Agora por Animal... Lembrei-me dos Marretas.

terça-feira, julho 15, 2003

Futurologias II - Update

O Jaquinzinhos honrou-nos com uma primeira resposta ao Futurologias II, a minha resposta foi adicionada em nota de rodapé ao próprio post.

Porto-Gaia(-Matosinhos-Gondomar-...)

O Cerco do Porto (re)lança a ideia de fusão do Porto de V. N. de Gaia de uma forma mais séria e a afastada de demagogias políticas.

Posso dizer que embora pessoalmente concorde com a ideia e que se poderia alargar a mais concelhos com uma vivência muito relacionada com o Porto e que também em Lisboa se poderia pensar muito seriamente no assunto, a ideia vai enfrentar muita oposição. Muitos políticos, e todo um conjunto de classes que se movimenta em torno do poder local, vão insurgir-se contra tal coisa, provocaria uma séria redução na quantidade de tachos a distribuir e também uma redução e endurecimento das esferas de influência [e temos que ter em conta que são classes organizadas e com amplos meios de acesso aos meios de comunicação social]. Também parte das populações veria com maus olhos o “rebaixamento” da sua cidade a freguesia.

A solução poderia passar pela eleição directa dos membros das Áreas Metropolitanas (Lisboa | Porto) e uma progressiva transferência de poderes e fundos das Câmaras Municipais para as Áreas Metropolitanas. Aliás a actual forma de constituição das Áreas Metropolitanas torna-as numa fonte de intrigas e caciquismos em que cada um tenta sacar o mais possível para o seu concelho, dentro de uma certa lógia a atitude correcta pois foram eleitos pelo seu concelho, e a perspectiva geral do melhoramento das condições a nível geral de toda a Área Metropolitana continua a ser relegada para segundo plano.
Actualizações:
(Quarta-feira, 16 de Julho de 2003)
Este post foi comentado no Veto Politico, diz “O apresentar de uma solução implica a pré-existência de um problema.” Negando assim a existência de um problema e chamando também à atenção do perigoso peso politico que tais instituições, com eleições directas teriam.

Ora a chatice é que o problema existe. Que as Área/Juntas Metropolitanas têm um funcionamento monolítico inquinado de caciquismos em que, como já referi, cada um está mais interessado em sacar o máximo possível para o seu concelho ou para concelhos da mesma cor política. O facto é que para as populações das áreas metropolitanas as fronteiras entre municípios não existem, habitam num concelho, trabalham noutro, fazem regularmente as compras num terceiro e vão por todos os dias por os filhos na casa da sogra que mora num quarto concelho – conheço vários casos assim.

A gestão das Areas Metropolitanas requer uma visão global e não dependente das várias câmaras, dai a necessidade das eleições directas de forma a lhes dar legitimidade.

segunda-feira, julho 14, 2003

Leituras: Guia para ficar a saber ainda menos sobre as mulheres

Isabel Stilwell – Editorial Noticias - 1999

Li este livro numa sala de espera num dia de ansiedades e em que estava particularmente solidário com a condição feminina, mesmo assim acabei por o achar uma mera colecção de lugares comuns sobre as relações homem/mulher envolvidos numa curiosa teoria.

Mas na realidade a maioria dos homens apercebe-se perfeitamente dos pequenos truques que as mulheres usam para os tentarem (e conseguirem) controlar. Porque se deixam controlar? Porque sim. Pensam as mulheres que com esses truques controlam os homens de uma forma subconsciente? Não. Sabem perfeitamente que eles sabem que estão a ser controlados.

Curiosas e simples estas relações, dispensava-se perfeitamente o livro. Mas deve ter vendido bem...

Be afraid, be very afraid...

Diz-se no Fumaças que se Menezes concorrer à Câmara do Porto como independente “É capaz de nem sequer conseguir ser eleito vereador, mesmo com o apoio do Pinto da Costa!”.

Olhe que não, meu caro senhor, olhe que não...

Com todo o respeito que o Porto e as suas gentes me merecem, não sou cá nado mas por cá ando à uns anitos, uma campanha bem popularucha com o Bimbo da Costa e insinuar que seria excelente para o Efe Cê Pê, comícios/concertos finalizados em grandiosos fogos de artificio e um bom trabalho de pé de beijos abraços e distribuição de bandeirinhas por vários locais...

domingo, julho 13, 2003

Torga...

Vila Nova, 7 de Novembro de 1934 – Acabou hoje tudo. Como sempre, fiquei derrotado. Quando já não era possível ter ilusões, agarrava-me a uma ilusão ainda maior e... esperava. É coisa que nunca pude destruir em mim: a ideia de que um ser, desde que nasce, fica logo com direito (e obrigação) de viver os sessenta anos da média. Muitas vezes me aconteceu ir a férias e assistir a uma sementeira de meu Pai. Depois, ver i milhão ou o linho a despontar. E, embora sabendo que aquelas vidas eram efémeras, voltar à leira nas férias seguintes e ficar desolado ao ver lá, em vez de linho ou milhão, um batatal espesso. E dizer a meu Pai: — «Então o linho que aqui havia? — Colheu-se em Agosto, filho». Em Agosto, realmente, o linho amadurece. Nos curtos meses que a natureza determina , tira ao sol o mais calor que pode e enche-se dele. Depois dá sinais de cansaço, e morre.

Mas este pequenito ainda não tinha recebido nenhum sol. Ainda estava na primeira semana. Nem o caule sòbriamente fibroso, nem a flor azul e delicada, nem a semente parda e madura. E foi por tudo isto que, ao chegar ao quarto, tive a sensação mais dolorosa da minha vida. Ali estava, ainda não substituído por cevada ou centeio, mas prestes. A mãe lavada em pranto. E ele, muito branco, muito discreto, voltado para a parede, a renegar de costas os remédios inúteis espalhados pela mesa de cabeceira.

Um médico nem sequer pode chorar. Só pode pegar no bracito magro e morno, apertar a artéria inerte e ficar uns segundos a trincar os dentes. Depois sair sem dizer nada.

Quem saberá por ai uma palavra para estes momentos? Uma palavra para um médico dizer a esta mãe, que entregou à vida um filho vivo e recebeu da vida um filho morto.


Miguel Torga, Diário I – Coimbra, Ed. Autor
PUTAQUEPARIU! Há alturas da vida em que nos devíamos cingir a coisas leves...

Onde estavas tu?

Menezes, Menezes... Onde estavas tu quando a luta era renhida e dada por perdida?

A dor de cotovelo é das que doem mais forte...

sábado, julho 12, 2003

Futurologias II – Macroeconomia

[ No seguimento do “Futurologias I” e, for the sake of argument, partindo do principio que tudo o que lá se disse está correcto (caso queiram rebater esse post, que eu agradeço, podem sempre faze-lo nos comentários a esse post) ]

Multinacionais, investimento, impostos e desemprego.

Actualmente o sistema defendido pela maioria dos peritos economistas é o da baixa de impostos sobre empresas, a desregulamentação das actividades económicas e mercado de trabalho e a abolição de tarifas aduaneiras de forma a incentivar o investimento e o comércio internacional. Esta opinião baseia-se na actual prosperidade dos países onde já estão em vigor estas medidas e ora abertamente ora de forma mais encoberta (3ª via) direita e esquerda (menos radical) se aproximam destas premissas.

No entanto a durabilidade desta forma de gerir a economia encontra-se, a meu ver, ameaçada exactamente pelos princípios que actualmente a fazem funcionar – a racionalização de custos. As empresas tentam produzir o mais possível com os menores custos possíveis.

Com a continua introdução das Novas Tecnologias nos ambientes de trabalho, nesta nova fase eliminando não só postos de trabalho nas fábricas mas também nos centros de decisão substituindo quase todos os cargos até à administração (e mesmo assim...) as empresas vão dispensando trabalhadores que são substituídos por robôs e por vários softwares (chamados agentes) que assimilaram a lógica do negócio e que, dotados de uma fabulosa capacidade de cálculo e acesso instantâneo a variadíssimas fontes de informação (entre as quais os dados dos outros agentes com funções directamente relacionadas com as suas) desempenham as mesmas tarefas com menores tempos de resposta e com custos de manutenção negligenciáveis.

Com o aumento vertiginoso do desemprego secam as principais fontes de receita do estado (impostos sobre rendimentos de trabalhadores por conta doutrem e impostos sobre o consumo). Com o medo de afugentar os investidores os estados evitam aumentar os impostos sobre as empresas, o deficit público dispara.

Por outro lado temos uma população de involuntários indigentes sem emprego e sem assistência nessa condição pois mesmo que o seu estado tenha sistemas de segurança social e subsídio de desemprego este, como já se viu, não terá condições de cumprir com as suas obrigações.

Teremos também empresas ultra automatizadas, com as fábricas paradas, sem ter a quem vender os seus produtos.

Como estaremos daqui por 15/20 anos?
Actualizações:
(Segunda-feira, Julho 14, 2003)
Um excelente texto n’A Lâmpada Mágica que desenvolve este tema. Vale a pena.
(Terça-feira, Julho 15, 2003)
O Jaquinzinhos comentou este post e promete mais. Alvíssaras!! Respondo-lhe aqui à pergunta colocada: “E porque os computadores já computam há algumas décadas, pergunta o ‘jaquinzinhos’ onde param esses milhões de desempregados que o silício condenou a esse desemprego final. Superma incongruência: não só não existe, como são justamente as indústrias de novas tecnologias que mais gente empregam. Afinal, alguém tem que construir os robots.

1º Eu não afirmo que estas alterações já ocorreram, indico apenas que estamos na sua véspera, há apenas embriões em desenvolvimento e que durante os próximos anos (5?) entrarão em pleno funcionamento. Como já disse tem havido uma transferência da população activa entre sectores de actividade, primário para secundário e secundários para terciário. Sendo os trabalhadores substituídos por softwares no sector terciário, como já foram pela maquinaria agrícola no primário e pela robotização no secundário, não há em vista nenhum novo sector de actividades pronto a receber mão-de-obra em grandes quantidades.

2º Efectivamente as indústrias de novas tecnologias têm vindo a absorver bastante mão-de-obra mas esta, ou é redundante caso as minhas previsões de automação do sector terciário se realizem, ou trata-se de técnicos altamente especializados e/ou criativos, o que, infelizmente, deixa de parte a grande maioria da população terrena. Onde se empregam esses?
(Quinta-feira, Julho 17, 2003)
Mais uma vez em resposta a mais três [ 1 | 2 | 3 ] posts no Jaquinzinhos:
Devo começar por dizer que este debate se tem virado para o problema da industrialização e a automação/robotização das fábricas e que não é esse o cerne do problema que eu queria esmiuçar, e esse problema é o da automação do sector dos serviços assim como já aconteceu, e continua a acontecer, na agricultura e na industria.

O processo de migração de mão-de-obra entre sectores de actividade é sempre doloroso, nem todos os que perdem o seu emprego num sector conseguem munir-se das qualificações necessárias para dar o “salto”, isto é particularmente evidente na passagem da industria para os serviços, sendo raros os casos de pessoas que conseguem dar o salto, normalmente vão-se arrastando pelas antigas funções trabalhando em condições cada vez mais precárias e a passagem acaba por ser feita pela geração seguinte, mais preparada e com a cabeça ainda não entorpecida.

Quando falo da entrada na automação dos serviços, e atenção é aqui que temos que puxar pela imaginação e pensar para além do que já existe hoje tentar prever o que está à porta e prestes a entra, não estou propriamente a falar de folhas de cálculo, processadores de texto ou programas de contabilidade. Estou a falar de sistemas autónomos com ligações às unidades produtoras que sozinhos fazem a gestão completa, em termos de dia a dia, de uma empresa negociando com outros sistemas autónomos.

A cumprir-se este cenário (que não tem sido contestado) a quantidade de mão-de-obra a ser libertada seria imensa, e mais uma vez não estou a falar de fabricas, os únicos empregos postos disponíveis seriam em cargos superiores de gestão e técnicos altamente qualificados, programadores, cientistas, etc..

Que se faz ao resto da população?

“O meu Alentejo”

[Confissões de um Alentejano de apenas dois costados e que não teve direito ao “seu Alentejo”]

Curiosa expressão que segue os alentejanos dos quatro costados para todos os cantos deste mundo. “Lá no meu Alentejo...” e, a não se que sejam amigos de infância, o Alentejo deles é sempre diferente do Alentejo dos outros.

Já agora, também gosto muito do Quézia (que também podia ter espaço para comentários) e acho que os gostos se podem discutir, não se podem é julgar.

sexta-feira, julho 11, 2003

Incongruências distinguido com prestigiado prémio

Temos o orgulho de anunciar que o Incongruências foi recentemente distinguido com o prestigiado prémio “Agradecimento Vários” atribuído pelo excelente blog 100nada.

A equipa responsável pela manutenção deste grato blog vem aqui publicamente demonstrar o seu agradecimento a todos o que tornaram isto possível.

A todos um muito obrigado!

Interrogações

Pergunta o Nuno no Mukankala:

“Porque é que a maioria (99%) das pessoas que entra em lojas como Massimo Dutti, Pierre Cardin, Cortefiel, Gant, entre outras, são de raça branca?”

E eu respondo: Porque têm uma falta de gosto crassa e a cabeça feita pela publicidade....

PS: Nas novidades do Mukankala também podia constar um sistema de comentários...

Finalmente...

Alice

quarta-feira, julho 09, 2003

Hora

Está na hora...

É uma merda não ser crente...

Agradecimentos

Apesar de algumas críticas continuamos nos agradecimentos...

Agradecemos ao ANTESTREIA, ao Big Breda [espero que venha a ser mais interessante que o próprio programa televisivo (baixa fasquia) e me mantenha minimamente informado sobre o desenrolar da coisa, de modo a que possa estar dentro do tema das conversas...], ao Desactualizado e Desinteressante e ao O PROJECTO pela inclusão nas suas listas de links.

E volto a agradecer: 100nadablog de publicidadeJaquinzinhosconversas de caféEspigas ao VentoPapoilaPiscosoQuezia

Leituras: A linha de sombra

Joseph Conrad

É um livro que nos pega e não nos larga. Há uma constante tensão no ar que nos faz continuar, na esperança que dissipe.

Um muito jovem e arrogante capitão passa por uma séria de provações que o fazem rapidamente alterar a sua postura na vida, amadurecer.

O livro fascinou-me bastante e espero em breve lê-lo na sua versão original graças ao Projecto Gutenberg.

terça-feira, julho 08, 2003

O poste fantasma...

Este post apenas serve apenas para suportar os comentários no bloco das leituras ali ao lado.

Punhetices

Aproveitei ontem, que tive que me deslocar à cidade automobilizado, para passar na bela ponte atirantada que foi construída sobre a VCI no Porto, uma obra promovida pela APOR.

A majestosa ponte é uma grande punhetice. A sua função facilmente seria realizável por um mero viaduto. É como comprar um Rolls Royce para carregar batatas, funciona, mas é deitar dinheiro pela janela.


Em tempos de maior prosperidade talvez se justifica-se pelo embelezamento que traz à área, que ela é bela não o nego, mas nos tempos que correm...

A ponte “desagua” numa nova e larga avenida, a Av. 25 de Abril, larga pelo seu enorme separador central feito à medida da escola que ai se encontrava. Temos assim uma escola dentro do separador central de uma avenida. Só coisas boas!! [Nesta foto, tirada durante as obras, é visível escola entre as faixas da avenida]

segunda-feira, julho 07, 2003

Depressão

Hoje no comboio enquanto tentava ler as últimas páginas d’O Crime do Padre Amaro era forçado a ouvir a tagarelice dum grupo de alunas, futuras professoras primárias e prestes a acabar o curso, pelo que me apercebi.

Hoje estou mais deprimido que o costume.

Futurologia I

Peço-vos um pequeno exercício de imaginação.

Como estaremos daqui a 15/20 anos?

Há 15 anos, como pensávamos que estaríamos agora?
[Preparei primeiro um texto de introdução, mas resolvi passar directamente ao punch line]

Está a o nosso modelo de sociedade preparado para o próximo passo da Revolução Tecnológica?

Há anos que alegremente falamos da revolução tecnológica mas pouco paramos para pensar que a sua fase final põe em perigo as bases do nosso modelo de sociedade.

A Revolução Agrícola abriu caminho para a Revolução Industrial permitindo que a população activa se deslocasse para as fábricas. Paralelamente os serviços foram crescendo e a absorver a população que sai das fábricas.
[A automação das fábricas tem sido um processo continuo e os robôs que nos habituamos a ver desde os anos 70 estão cada vez mais versáteis sendo capazes de realizar tarefas que até a pouco tempo só se julgavam realizáveis por humanos. Dentro em breve nem a mão-de-obra extremamente barata de certos países irá atrair os investimentos das multinacionais]

Chegamos agora à véspera da fase seguinte da Revolução Tecnológica, a automação nos Sectores dos Serviços. Com a evolução da capacidade de computação e o paralelo desenvolvimento de software o trabalho administrativo nas empresas também tem vindo a ser automatizado, não foi só o e-mail que acabou com os paquetes, serviços que há uns anos ocupavam dezenas de pessoas são hoje realizados por duas ou três.

Novas gerações de software estão agora a entrar ao serviço integrando ainda mais as operações dos negócios dentro da lógica do software e prontas a fazer uso de transacções electrónicas automatizadas, envio electrónico de documentos como ordens de compra, facturas, ordens de pagamento, etc..

Estão a surgir mercados electrónicos (eMarkets) que, embora hoje em dia apenas sirvam de ponto de encontro com capacidades de busca entre fornecedores e clientes, em breve permitirão o funcionamento de agentes de compra e agentes de venda, programas autónomos que pesquisarão as bases de dados dos mercados electrónicos em busca do melhor fornecedor para determinado produto, ou então, no caso de agentes de venda, do preço e condições mais adequadas para anunciar determinado produto tendo não só em conta a concorrência nos eMarkets mas também as capacidades de produção e encomendas já conseguidas.

As potencialidades de utilização destes softwares são infinitas e com a sua penetração no funcionamento das empresas e o esvaziamento das funções dos trabalhadores humanos está a seguir o seu rumo nos escritórios tal como tem seguido nas fábricas.

Como estaremos daqui a 15/20 anos?

Referências:
http://www.eco.utexas.edu/homepages/faculty/Norman/long/Employment.html
http://www.emarketservices.com/about_emarkets/


Actualização: Sobre este post um interessante comentário n’A Lâmpada Mágica

sábado, julho 05, 2003

Globalização III

O jcd nos Jaquinzinhos responde num excelente post à dúvida aqui colocada: como se cria riqueza. Tambem "Carlos Carvalhas" em comentário refere que já se criava riqueza desde a idade da pedra. Dada a simplicidade da resposta peço desculpa pela minha ignorância... E sim, jcd tem razão no seu comentário, eu estou a confundir dinheiro com riqueza.

Agora que eu já percebi como se cria riqueza, continuo sem ver como se resolve o problema. As trocas comerciais actuais são todas em dinheiro. Sendo, num sistema fechado, com transações com base em dinheiro, impossível o lucro (pelo menos o lucro monetário), o capitalismo está mal parado.

Pelo menos é possível que ambas as empresas fiquem mais ricas por produzir mais e lucrar nas trocas comerciais uma com a outra. No entanto, por forma a assegurar crescimento, terão de torrar o dinheiro o mais rápido possível. Uma forma de conseguir isto, sem ser gastar dinheiro à toa, é pagar melhores salários.

Ainda assim penso que o lucro monetário é importante. Sendo a única forma de haver lucro no sistema a cunhagem de moeda e subsequente compra de produtos por parte do estado. Fica então aqui a questão: será que o défice zero, para além de difícil de atingir, não é tambem asneira?

Bookcrossing

O 5 minutos fez referência à uns tempos ao Bookcrossing (www.bookcrossing.com) e explicando sumariamente e eficazmente a ideia da coisa: “A ideia é simples: livros que as pessoas "libertam" e que esperam outros venham a ler, esperando ainda que o registem quando o encontram e dessa forma descobrir uma bela manhã que o "nosso" livro que deixámos numa pastelaria da nossa rua está a ser lido por alguém no outro lado do mundo que depois o irá "passar" a outra pessoa e por aí fora... É lindo!!!

Eu já há uns tempos que tinha lido um artigo sobre o assunto e, para ser sincero, até me arrepiou a espinha. A coisa é assim, se eu adquiro um livro é porque tenho ideias de o ler, se já o li, é-me muito difícil separar dele. Estão cá em casa guardados, empilhados e amontoados. De vez em quando desfolho-os, e gosto. [talvez seja este o motivo porque os e-books nunca venham a pegar em condições, a relação física com o livro, e não por falta de tecnologias para os substituir de uma forma eficaz]

O MacGuffin no Contra a Corrente ajuda a explicar esta questão.

5 minutos

Cruzei-me com um blog que merece bem mais que 5 minutos.

Um agradecimento ao Fumaças por ter mencionado o 5 minutos.

Mais uma referência diária a entrar ali para o lado... Não fosse a minha lista no www.blo.gs e não me seria possível acompanhar o ritmo.

Agradecimentos

Aos 100nada, conversas de café e Espigas ao Vento pelas referências. Ao blog de publicidade por nos ter incluído na lista de links e especialmente por ter respondido à nossa provocaçãozinha.
E volto a agradecer: JaquinzinhosPapoilaPiscosoQuezia

sexta-feira, julho 04, 2003

Os servos do Império

A Bomba Inteligente faz referência a um belo artigo de Miguel de Sousa Tavares sobre Buenos Aires. Este artigo tem um curioso post scriptum do qual destaco uma parte: “Preto no branco: assumimos a vontade de partilhar de um direito de saque sobre um país estranho, direito esse fundado na agressão militar dos Estados Unidos;”

Vale a pena ler o resto!

Demisão!

Tendo em conta que eu tenho tanto peso nas decisões internas do PND como Manuel Monteiro tem no governo deste país.

Exijo a demissão de Manuel Monteiro de líder do PND!! Cumpra-se!

Reality Show

Compramos hoje a câmara de vigilância. Temos agora um Reality Show particular, uma cama vazia, mas mesmo assim gostamos bastante de ficar a ver...

Livros

De manhã comprei a Jornada de África de Manuel Alegre com a Visão, foi a conjugação de vários factores que me fez tomar a decisão:
autores portugueses – já há uns tempos que me apercebi que as minhas leituras quase todas se resumiram a autores estrangeiros, mais precisamente anglo-saxónicos, ando a tentar redimir-me;

África – nasci em Moçambique e embora de lá não tenha memorias quase nenhumas fica sempre o fascínio;

Manuel Alegre – o homem há dias agradou-me bastante...
Antes de descer para almoço chegou a encomenda da Amazon, 2 livros do Harry Potter, um para o filho de um amigo, e o A Farewell to Arms do Hemingway.

Feitas a contas os livros do Harry Potter ficaram a pouco mais de €16.00 cada, incluindo os portes para apenas 3 livros desde o Reino Unido, mais barato que comprar cá numa qualquer livraria mesmo que com o famoso desconto de 10%.

quinta-feira, julho 03, 2003

Globalização II

O João Miranda [post] assim como o jcd em comentário, referem que a economia não é um jogo de soma zero. Que a riqueza se cria. Que estamos mais ricos agora que há cem anos atrás.

Ora, como se cria riqueza? Só conheço 3 maneiras: a banca, a bolsa e fabrico de dinheiro.

A banca empresta o dinheiro que nós lá temos assim como o dinheiro que pede a outros bancos, nomeadamente aos bancos centrais. Assim dá-se uma multiplicação do dinheiro total, logo, um aumento aparente da riqueza. Não estivéssemos nós endividados.

Na bolsa, quando compramos acções temos a sensação que é um valor quase equivalente a dinheiro. Quem nos vende as acções fica com o dinheiro, logo, o dinheiro é duplicado, a riqueza aumenta. Se as acções subirem, ainda maior o aumento. Outra forma são as participações cruzadas. Com participações cruzadas, quando é feita a avaliação individual do valor de uma empresa, as participações em outras contam. Quando é feito de outra idem. Assim duas empresas podem ser avaliadas por mais do valor real que efectivamente valem. Tem-se assim um aumento aparente de riqueza.

Quando o estado fabrica dinheiro, aí sim, cria-se riqueza. Se houver confiança, o dinheiro vale, logo, temos um aumento de riqueza.

Agora, pensando no nosso caso só com duas empresas. Num sistema em que não há lucro recorrer à banca é impossível. Não há lucro (pelo menos para uma das empresas), quanto mais pagar empréstimos bancários. Os trabalhadores das empresas podem recorrer à banca. Nessa altura poderá haver uma oportunidade de lucro momentânea. Momentânea porque ao fim de algum tempo os trabalhadores terão de pagar as dívidas, provocando pior que uma quebra nos lucros, o dinheiro sorvido ao sistema pelos bancos dá lugar a prejuízos.

Na bolsa as coisas correm melhor. Em teoria ambas as empresas podem realizar aumento de capitais para comprar acções mútuas, aumento de capital pois lucro, que é bom, não há. Assim como são ambas donas uma da outra, o valor próprio é inflacionado. Mas o mais certo é uma das empresas ter lucro e a outra prejuízo. A que tem lucro compra acções da que tem prejuízo num aumento de capital para colmatar as perdas que a segunda faz. Assim ficamos com uma única empresa (que no final vai à falência). De qualquer forma, a bolsa não resolve o problema da impossibilidade do lucro, resultado de trocas comerciais.

Fabricar dinheiro é a única solução viável. É óptimo para o estado que tem assim uma forma de aumentar a despesa sem recorrer a impostos e as empresas têm lucro. Com sorte há confiança e não há inflação.

De todo em todo, não vejo como se cria riqueza real. Talvez alguém me possa explicar...

Target

Deixo aqui uma pergunta que talvez alguém lá para os lados do blog de publicidade se dê ao trabalho de responder.

Qual é o target da campanha da Sagres? A que público se destinam imagens como estas? [ 1 | 2 | 3 ]

Actualização: Já tivemos honras de resposta. Um Muito Obrigado. Mais farpas se seguirão.

Mais agradecimentos...

À Papoila e ao Piscoso que muito nos honram pela inclusão nas suas listas de links. Muito obrigado!

terça-feira, julho 01, 2003

Globalização...

Uma das coisas mais estranhas da globalização é que se prova impossível que duas companhias num sistema fechado (que é o da globalização) possam ambas ter lucro. Pior: o resultado pode ser extrapolado para várias companhias. Mais fácil é de perceber que é impossível para ambas amealhar dinheiro, pois sendo este finito (o défice 0 garante isso) rapidamente todo o dinheiro acabaria por ser amealhado.

Há duas maneiras de tentar resolver o problema. A primeira consiste em esquecer o lucro e no entanto garantir crescimento: gastar o dinheiro o mais rapidamente possível. Ambas as companhias produzem cada vez mais e trocam cada vez mais rapidamente de dinheiro. É loucura. A segunda consiste em o estado fabricar dinheiro e com ele comprar produtos das empresas. Assim já é possível lucro. O problema é depois: inflação.

Assim, quando entramos no mundo da economia global, chegamos a este problema: é impossível o lucro. Sem lucro não há capitalismo que resista. Por mais volta que se lhe dê, não acredito no capitalismo sem lucro.
Será que a ânsia pela abertura da China não denota já a falência do sistema? Se for parece que saiu o tiro pela culatra. A China revela-se um feroz competidor...

Estudos sobre a Guerra Civil Espanhola

Desde que li o “Por quem os sinos dobram” de Heminway que tenho um certo fascínio pela Guerra Civil Espanhola. Apesar da vária literatura que inspirou e que a relata, continua a ser uma guerra insuficientemente estudada, e ainda não carpida pelos Espanhóis. [Aliás foi com estranheza e um certo sentimento de ironia que acompanhei o processo de pedido de extradição de Pinochet, um país que se esforça tanto para ignorar o seu passado a tentar julgar o passado alheio]

Há pois mais uma referência diária a acrescentar à lista, os Estudos sobre a Guerra Civil Espanhola. O link ali ao lado acrescento-o mais logo.

Agradecimento

Agradecemos aos Jaquinzinhos a menção e inclusão na lista de peixes, as águas calmas agradam-nos...